3 Pratinhos

NOLA: Muito a Dizer!!

Momentos não podem ser replicados. Cada experiência é única. Já as histórias podem ser relembradas. Algumas delas se tornam engraçadas ao longo do tempo, rendem boas risadas e longas conversas. Acho que foi por isso que eu nunca quis recriar as receitas de Nova Orleans, Louisiana, ou simplesmente NOLA. Quando voltamos, as meninas pediam por beignets, que é simplesmente um pedaço de massa choux, frita e coberta por açúcar de confeiteiro. Mas os beignets fazem parte da nossa viagem e das nossas constantes visitas ao Café du Monde.

 

 

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Filas no Café du Monde, loja estabelecida em 1826 no French Market e parada obrigatória para os turistas (e locais também!). Quem assistiu o filme Chef? Pois é, durante a passagem por Nova Orleans, Jon Favreau faz questão de comprar algumas beignets para o personagem do seu filho. 

 

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Café da Manhã: Bananas Foster French Toast (Stanley Restaurant)

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Café da Manhã: Eggs Benedict Poor Boy (Stanley Restaurant)

E se não era beignets no café da manhã, eram bananas flambadas com sorvete e Po-Boy de ovos beneditinos no Restaurante Stanley. Po-Boy, aliás, também faz parte da identidade de Nova Orleans. É um sanduíche, que pode ter diferentes recheios como crawfish (um tipo de crustáceo de água doce), camarões fritos, caranguejo ou até mesmo um rosbife. Aí você acrescenta os extras: maionese, picles, alface. Mas o grande segredo é o pão francês, crocante por fora e macio por dentro. Mais sobre crawfish? Não deixe Nova Orleans, antes de experimentar.

Essa foi uma daquelas viagens que agradam os diferentes gostos. Teve um pouquinho de tudo: música, cultura, passeio de barco em um dos mais longos rios dos Estados Unidos, rio Mississipi, e até um pouco de aventura também, com um passeio de barco nos pântanos para avistar alguns, na verdade muitos, jacarés. E teve muita, mas muita gastronomia.

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Passeio de barco nos pântanos

 

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E nas ruas do French Quarter… Alguém explica?

Enquanto meu marido explicava às crianças o que foi o furacão Katrina (e a razão de algumas casas mais afastadas serem elevadas), mostrava a famosa Universidade de Tulane e contava as histórias sobre as culturas locais e temas como Carnaval e Vodus, eu queria apreciar um pouco da arquitetura local e também já tinha uma lista de restaurantes e receitas típicas que queria conhecer.

E no topo da minha lista estava o Napoleon House, um restaurante/bar num casarão de esquina com mais de 200 anos de história. Em 1821, o primeiro ocupante do lugar e ex-prefeito de Nova Orleans, ofereceu a Napoleão a sua casa como refúgio durante o exílio. Napoleão jamais usou a residência, mas o nome mesmo assim persistiu.

O lugar é acolhedor e é fácil entender a razão que atraiu tanta gente como escritores, artistas, poetas, boêmios e obviamente, turistas. A casa foi construída em 1794 e ainda conserva aspectos que te transporta ao passado. O restaurante localizado no primeiro andar do prédio conta com paredes de concreto envelhecido e patinado e são cobertas por citações dos visitantes ilustres e também quadros das batalhas de Napoleão, colocados de forma irregular, assimétrica, alguns até pendendo para um lado. Passando o bar, enormes portas de madeira dão entrada a um charmoso jardim interno, com somente uma parte coberta. Mesas de ferro e palmeiras em vasos completam a decoração que é acentuada por um parede de tijolos antiga. E mais uma alusão a essência da arquitetura de Nova Orleans é a vista do jardim aberto para as janelas coloridas no segundo andar do casarão e os trabalhos de ferro, uma das características do French Quarter.

Eu estava ansiosa para experimentar todos os pratos, e essa foi uma das minhas primeiras visitas gastronômicas a um restaurante local. Menus à mão, jambalaia, gumbo ou muffuletta*? Fomos com os três. As meninas foram “bem treinadas” e adoram conhecer novos pratos, ficam ofendidas sempre que alguém oferece um kids menu a elas!

Eu não reclamo (na verdade adoro), pois esta parceria na comida nos rendeu mais uma grande noite na qual nos deliciamos com as ostras do restaurante Royal House. Sentadas à beira de uma das imensas portas que davam entrada ao terraço, pudemos ter um longo jantar ao mesmo tempo que apreciávamos uma talentosa artista com seu violão e canto.      

Mas e a sobremesa? NOLA é conhecida pela deliciosas pralinês. Era certo, saíamos dos restaurantes e íamos comprar algumas, escolhidas a dedos nos balcões da Aunt Sally’s, hum, derretiam na boca. Você pode comprar os doces pelo peso, mas também em caixas para quem quiser levar uma “lembrança gourmet dessa cidade” tão encantadora.

A semana passou rápido, saímos com o gostinho de quem ainda poderia ter feito ainda mais. Mesmo um ano depois, as crianças continuam com Nova Orleans no topo do ranking das cidades americanas que elas mais curtiram, em segundo lugar está Myrtle Beach, na Carolina do Sul e a Disney já despencou para terceiro lugar. Quem diria, deve ter alguma coisa a ver com a comida, não??

E para quem pensa em visitar Nova Orleans, entre o dia 26 e 29 de maio, acontece na cidade, o festival de Vinho e Comida (New Orleans Wine & Food Experience). Mais informação clique aqui (inglês).

E os festival de Crawfish acontece nos dias 25,26 e 27 de abril. Mais informações clique aqui (inglês).

*Jambalaya Prato de típico de Louisiana, com influências das cozinhas francesa e espanhola. Feito com carnes, legumes e arroz. Tradicionalmente, usa uma linguiça defumada (Andouille). Pode ter também frutos do mar.

Gumbo Um prato muito parecido com a Jambalaia, mas contém quiabo.

Muffuletta Sanduíche trazido pela influência italiana a NOLA. Usa um tipo de pão siciliano, redondo e com gergelim, contém camadas de marinado de azeitonas, mortadela, salame, mozzarella, presunto e provolone.